Intercâmbio de Permacultores, Sobral, Meruoca, Ceará, Planeta Terra

Na semana do dia 18 de outubro recebemos aqui em Sobral um casal muito especial, a Drica e o Planta. Ela é bailarina, permacultora e arte-educadora. Rafael é administrador, malabarista e permacultor. Eles estão com um projeto de viajar a América Latina em busca de conhecer experiências de permacultura. No final do ano passado iniciaram sua viajem indo para o município de Garoupaba, Santa Catarina. Ficamos sabendo da ida deles para aquela região, nos comunicamos e informamos da possibilidade de conhecer os permacultores locais, especialmente o pessoal da Rede Permear. Isso que é legal quando se forma uma rede de amigos – os contatos são feito boca a boca e nada melhor do que isso para saber quem são de fato as pessoas! Pois é, colocamos o casal em contato com Gardel, Sítio Curupira, Suzana e Jorge, juntamente com o pessoal de Yvy Porã. A partir daí fizeram amizade com os amigos dos amigos, conheceram a estação de Pedro Marcos, em Cerrito, e ainda tiveram a oportunidade de fazer uma viajem de mais 2 mil km junto com Suzana e Jorge para a Argentina. Por motivos de forças maiores tiveram que retornar para Fortaleza de uma hora para outra. A mais de dois meses combinávamos esse encontro aqui Sobral. Mas, como estamos a favor do tempo, então deixamos Ele decidir, e o encontro ficou para o dia 18 de outubro. De cara Jasmim já foi fazendo a maior amizade com Drica e Planta, ambos tem uma capacidade enorme de lhe dar com crianças. Pra Jasmim foi um grande presente a estadia de vocês aqui em nossa moradia.

Tivemos bons momentos, muita conversa sobre diversos assuntos: experiências de viagens mundo a fora, permacultura, trabalhos, amizades, alimentação saudável, bons hábitos, enfim muito aprendizado durante todos esses dias.

Como estava no meio da semana, tiveram que se adaptar ao máximo com nosso cotidiano de trabalho, cuidados com Jasmim e a fazeres doméstico. Mas sem problemas tiraram de letra e ainda deram maior força. Nos dias que eu ia fazer os trabalhos de campo no acompanhamento aos produtores o Planta me acompanhou e teve a oportunidade de conhecer os sistemas Agroflorestais na Serra da Meruoca. Na foto abaixo o Planta no viveiro de com Dona de Lourdes.

Depois fomos fazer uma visita a Horta Mandala (modelo PAIS) que Dona de Lourdes cuida. É um sistema de produção que consorcia a produção de hortaliças, verduras e legumes com a criação de galinha. O galinheiro fica no centro cercado de aneis de canteiros para a produção vegetal e tem ainda um corredor para as galinhas pastagerem no SAFs.

Depois fomos ver um mirante muito bonito próximo a Comunidade Terra Nova no pô do Sol, onde pudemos passar um bom tempo sentado na rocha conversando sobre a vida e os projetos de vida.

No dia seguinte fomos conhecer a cachoeira Véu da Noiva, eu, Bárbara, Drica e Planta. Descemos uma trilha bem ingrime. Aproveitamos que Bárbara ia viajar e não iria passar o fim de semana para fazermos essa visita na cachoeira. Bárbara grávida não parava de comer caju. heheheh No momento que estávamos no banho chega uma nuvem caregada de água e o tempo escurece, momento único para esse período do ano que geralmente é muito seco e quente.

Como o propósito da visita foi conhecer um pouco mais a região, no final de semana fomos para uma Casa na Floresta, Serra da Meruoca, da nossa família para passarmos o final de semana. Tivemos a sexta, o sábado e o domingo de muita conversa, leitura, passeios, refeições deliciosas e brincadeiras. Abaixo imagens que falam muito mais que se eu fosse tentar escrever.

No mirante do Ventura, Alcântaras a quase 900 metros de altitude, junto com toda a turma: Eli, Jaqueline, Eduardo, Luana, Drica e Planta.

Malabares de fogo por Drica, posso dizer que especialmente para Jasmim, ou então ela não deixaria vocês voltarem pra Fortaleza.

Foi muito bom a presença de vocês aqui na nossa região e no nosso coração. Forte Abraço e que Deus ilumine os caminhos de vocês.

E Viva os Permacultores!!!!!!

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Trigonas – Bunda de Vaca (Trigona fulviventris), Meruoca, Ceará.

Ainda na propriedade de Tarcísio tive a oportunidade de visitar um enxame de Trigona fulviventris, mais conhecida como abelha bunda de vaca.

Ela é conhecida por ser menos que as demais, ter coloração predominantemente preta, com somente seu abdomem amarelo. Abaixo uma foto dela, com baixa qualidade, mas dá para visualizar seu abdobem.

Ela tem costume de nidificar no solo. Pelo menos foi essa a informação que o Tarcísio me repassou. Ela forma um canudo de mais de 20 cm de altura do chão.

Abaixo mais uma foto da bunda de vaca nidificada naturalmente a mais de 5 anos no mesmo local.

Não apresenta agressividade quando nos aproximamos. Retirei várias fotos dela sem que nenhuma atacasse meus cabelos, e é que ele tem uma aparência de uma bela moradia.hehehehehe

Espero que tenha gostado. Em breve maiores informações.

 

Meliponídeos – Canudo (Scaptotrigona sp.), Meruoca, Ceará.

Estive a duas semanas atrás realizando visitas de campo através de um projeto realizado pelo Instituto Carnaúba, ONG que faço parte aqui na região de Sobral. Estive na comunidade, que acompanhado pelo projeto, no intuito de visitar e fazer diagnóstico das áreas para implantação/ampliação dos Sistemas Agroflorestais – SAFs na Serra da Meruoca.

Nessa semana visitei 3 produtores, dentre eles estava Sr. Tarcísio, agricultor, muito dedicado a escola, que fica na sede de Meruoca, onde faz o 2° do ensino médio. Sua propriedade tem 08 hectares de área e extrema com o riacho. Dentro da terra tem uma baixa onde é utilizada para plantio de milho, feijão, macaxeira, direcionada para os roçados, ou plantas de ciclo curto. No terreno tem áreas com inclinação acima de 45° e presença de riachos. A maior parte da área está bem protegida por árvores, com boa cobertura vegetal,formada principalmente por cajueiros, jaqueiras, mangueiras e nativas.

Além da agricultura Sr. Tarcísio é apicultor e meliponicultor. Em áreas mais distante ele cria apis e próximo a sua casa cria os meliponideos.

Acima, foto de Tarcísio no local onde fica a colméia de canudo (Scaptotrigona sp.). E abaixo a caixa aberta com favos de mel (a esquerda) e discos de cria protegidos por uma camada de cera (direita).

Essa abelha enquanto mechíamos nela não houve nenhum ataque, nem nos cabelos como é de costume.

Faz mais de 8 meses que essa abelha foi capturada por Tarcísio. Ele tem mais um enxame que está num tronco de cajueiro. Lembrando que não estamos falando de captura indiscrimiada de Abelhas Sem Ferrão – ASF. Estamos falando do caso de um agricultor que tinha dois enxames numa mesma planta de cajueiro e que essa planta, de acordo com ele, estava chorando (liberando a sua resina), próximo da morte e que alguns galhos já tinham caído, no caso desse enxame que está na caixa. O outro ainda se encontra dentro do tronco, mas próximo a sua casa. Portanto não se trata de retirar abelhas silvestres de seu ninho natural. Somente fazer a mudança do enxame para que ele não morra ou tenha que migrar para outro local.

Abaixo uma imagem com mais detalhes dos favos de mel da canudo.

Tive a oportunidade de saborear o mel da canudo.HUMMMMMMMMM. Delícia. Sabor suave, com tonalidade clara e baixa consistência, excelente! Fiquei de levar para ele cuidar mais 3 enxames que fizemos aquisição de um produtor do distrito de Jordão, Sobral. Esperamos poder ampliar o númeor de enxames e incentivar mais pequenos produtores a criar essas abelhas, consorciando com os Sistemas Agroflorestais, aumentando a produção de frutos, o alimento para as abelhas, preservando o ecossistema e gerando a melhoria da renda das famílias do campo.

Conclusão do II PDC, 2011, Meruoca, Ceará

Até que enfim, estou escrevendo sobre o II PDC na Serra Meruoca. Esse curso foi muito bom para entendermos a real função das coisas. Recebemos Jorge e Suzana em Fortaleza e eles como sempre muito entusiasmados com a vinda e a possibilidade de por em prática as novas experiências de ministrar o Curso, com outro olhar.

Dessa vez tivemos cerca de 30 pessoas que se inscreveram para fazer o Curso de Design em Permacultura – PDC. Nós daqui de Sobral, cerca de 10 pessoas, dessa vez organizaram o curso e aproveitaram para fazer uma reciclagem dos conteúdos. A maioria das pessoas era de Fortaleza, mas teve gente que veio de longe, como de DF e PB e isso nos deixou muito satisfeito, esperamos que tenham gostado.

Durante os nove dias pudemos momentos teóricos de fundamental importância para que pudéssemos entender os conceitos e conteúdos propostos por Bill Mollison e os princípios da permacultura por David Holmgren.

Tivemos também momento de práticas que foram de muito aprendizado para que pudéssemos fazer a relação da teoria com a prática do cotidiano.

Abaixo algumas fotos das atividades que tivemos durante todo o PDC.

Preparo da Compostagem, com folhas secas, palhada, esterco de bovino e folhas verdes.

Proporção de 30:1, C – N, co medidas de 1x1x1, 1 m³, com a finalidade de garantir que haja fermentação adequada no centro do composto, atingindo até 70°C. Se não ocorrer a fermentação pode ser por falta ou excesso de água ou falta de N.

Canteiros na forma de olho de fechadura inicialmente é feito o desenho/marcação no chão, escava as bordas com +- 15 cm de profundidade e largura do tamanho de um pé (30 cm), para que a água desça por gravidade e se acumule, depois é colocado maravalha ou serrgem de madeira em toda a borda. Em seguida, são colocadas camadas de jornal forrando o chão com intuito de diminuir o surgimento de espécies herbáceas indesejadas.

Depois é posta a palha de bananeira emaranhada e por último feito os berços para planio das mudas. Esse canteiro leva em consideração a posição da luz, vento, sombra, concentração de água, tipos de ervas e hortaliças a serem plantadas.

Outra prática feita durante o curso foi o de produção de sabão caseiro, a partir de óleo vegetal, soda cáustica e alcool.

Acima, foto de Jorge explicando como se faz o sabão.

Mais uma atividade prática que foi realizada foi a construção de um forno a lenha. Fizemos com tijolos da região que ficamos sabemos que na relaidade não refratários (rsrsrrs). A primeira etapa foi fazer a base do forno para que pudesse ser sustentada. Aproveitamos uma parede que já estava feita e fizemos a outra parede, a base com pré moldados utilizando terra e cimento. Depois começamos a centar os tijolos na base e iniciamos a construção do forno. Para isso precisamos de um gabarito de madeira para fazer a primeira parte, que no caso é a porta do forno. A massa que fizemos foi a massa indicada por Jorge e Suzana, com traço para 1 lata de 18l de terra (na proporção sempre 70% areia, 30% argila), 2 kg de cal hidratada e 1 kg de açúcar (yvyporã).

Nesse forno utilizamos quase 250 tijolos, que aqui em Sobral são vendidos a unidade por R$ 0,70. Depois que fechamos o forno ele passou um dia descançando e recebeu o primeiro fogo somente para retirar a água que ainda estava na massa. No dia seguinte pudemos nos deliciar com uma bela pizza feita pelos participantes do curso, ressaltando que a massa foi feita por Carlos Bianchi, que por sinal, muito bem feita, com um leve toque de cachaça.

Acima a foto de B´rbara com Manu só espeando a pizza sair. Delícia!!!!!!

A construção de canais de infiltração foram feitas na área acima da casa. Na foto abaixo o Jorge auxiliando na confecção do pé de galinha. Olha a cara da Taiszinha.heheheeh

Abaixo foto da mulherada colocando os marmanjos no bolso de tanto trabalhar. Eita que estavam bem determinadas.

Mas vamos concordar… Nem tudo é trabalho e aula num PDC. A noite quando não estávamos assistindo algum filme, nos reuníamos após o jantar na Zona 0, o Bar do Sr. Francisco, uma figura única na Serra da Meruoca. Eles estava sempre muito disposto nos servir, toda vez que nos via era uma enorme alegria, a final não é todo dia que ele tem bons clientes todas as noites durante 9 dias.hehehehehehehe

Sempre numa enorme interação com quem? Dudu. heheheheh

Infelizmente esse ano não diferente dos demais quanto aos dias da Suzana. Teve que voltar mais cedo desa vez também e a turma aproveitou para se despedir, pena que não deu certo pra mim. Acordei com um peso na consciência (cabeça).

Muito bom Su, a vinda de vocês aqui na nossa região.

Mas não termina por aqui. O curso continuou mesmo sem Suzana. Jorge assumiu e encaminhou o Design que é talvez a atividade mais importante durante o PDC. Foram divididos grupos que passaram 2 dias trabalhando para apresentar o projeto da área.

Após dois dias de trabalho puxado tivemos a apresentação dos Designs. Abaixo imagens da apresentação.

Após a apresentação Jorge fez suas considerações finais e tivemos o moemtno da entrega dos certificados. Foto abaixo Jorge e o grupo expressando o que foi o II PDC, 2011.

Enfim, mais uma turma de permacultores formada aqui na região da Meruoca, Ceará.

Esperamos que possamos nos encontrar em breve e vermos os bons frutos desse belo momento.