II PDC na Serra da Meruoca, 2011, Ceará

O II Curso de Design em Permacultura – PDC será realizado na Serra da Meruoca, Ceará, entre os dias 02 a 10 de julho de 2011.

Estamos pelo segundo ano organzando um PDC aqui na nossa região. O primeiro teve como objetivo capacitar as pessoas daqui da região norte do Ceará a custo baixo, inserindo comunidades tradicionais e agricultores dentro de vagas sociais, que para isso teve que haver ajuda de custo, financiamento.

Após o I PDC, se formou um grupo de amigos permacultores e amigos que não fizeram ainda o PDC, mas que se interessam pelo assunto. Desde então a gente vem se reunindo semanalmente para planejar ações, conversar sobre a vida, construir projetos coletivos e realizar atividades.

Nesse ano decidimos organizar outro PDC, por percebermos que o grupo aumentou e que as pessoas precisam mergulhar nessa vivência de 9 dias, e as pessoas que já tem PDC precisam dar uma reciclada. Dessa vez optamos, inicialmente, por não ir atrás de ajuda de custo.  E por isso o custo aumentou R$100,00.

Abaixo adicionei um texto retirado do site da Rede Permear, explicando um pouco sobre a Permacultura e o PDC.

O que é Permacultura?

Permacultura é algo fácil de identificar com um monte de desejos pessoais profundos entre aquelas pessoas que sonham com paz, harmonia e abundância. Os australianos Bill Mollison e David Holmgren, criadores da Permacultura, cunharam esta palavra nos anos 70 para referenciar “um sistema evolutivo integrado de espécies vegetais e animais perenes úteis ao homem”. Estavam buscando os princípios de uma Agricultura Permanente. Logo depois, o conceito evoluiu para “um sistema de planejamento para a criação de ambientes humanos sustentáveis” , como resultado de um salto na busca de uma Cultura Permanente, envolvendo aspectos éticos, socioeconômicos e ambientais (Rede Permear).

O que é o PDC?

PDC é a sigla para o título em inglês “Permaculture Design Certificate” course, ou seja, curso Certificado de Design em Permacultura.
Este curso é padronizado no mundo todo, com conteúdo mínimo estipulado por Bill Mollison  e carga horária mínima de 72horas.

Instrutores: Jorge Timmermann e Suzana Maringoni.

Custos: R$450,00 (quantrocentos e cinquenta reais) incluindo material, alimentação e área para camping. 30% no ato da inscrição.

Inscrições e contatos: tiago_zootec@hotmail.com
88 92146232/92047196/36118124

Anúncios

Criação de abelhas sem ferrão

Esse final de semana estive na comunidade Santo Elias, Serra da Meruoca, realizando visitas aos produtores que acompanho, através do projeto de implantação de Sistemas Agroflorestais – SAFs na Serra da Meruoca. O SAF é um sistema de produção que visa produzir alimento consorciado com árvores, buscando imitar ao máximo o que acontece na floresta. Na Serra o projeto é realizado pelo Instituto Carnaúba, no qual sou técnico. Desde 2006 ações vem sendo realizadas no Sítio Santo Elias, comunidade próximo ao distrito de São Francisco, 15 km de Sobral. O café sombreado, urucum e pimenta do reino são plantados em consorcio com espécies frutíferas (cajá, caju, graviola, manga, tamarindo, jenipapo, goiaba, etc) e florestais (jatobá, piquiá, podói, sabiá, angico, etc.).

Em termos de Design da propriedade, essa atividade faz parte da Zona 04. Talvez o que fosse ideal seria iniciar a partir da Zona 0 e avançar para as zonas 1, 2, 3, 4 e 5.

Uma das atividades que estou iniciando é a meliponicultura ou criação de abelhas nativas, conhecidas também como abelhas sem ferrão, indígenas ou ainda meliponídeas. De início estou acompanhando os agricultores na captura dos enxames até a formação de um meliponário da comunidade.

Inicialmente fiz um diagnóstico com os produtores sobre as espécies os tipos de abelhas existentes nas áreas. Conseguimos listar as abelhas canudo (Scaptotrigona sp), mombuca (Geotrigona mombuca), cupira (Partamona seridoensis), bunda de vaca (Trigona fulviventris), arapuá (Trigona spinipes),  moça branca (Frieseomelitta doederleini) e mosquito (Plebeia sp.)

Após a identificação marcamos visitas nas áreas dos produtores para identificarmos os enxames e fazermos a mudança de forma artesanal. Como essa atividade está sendo resgatada agora e não dispomos de recursos para confecção de caixas, decidimos utilizar material local, fazendo com cabaças, da forma tradicional. A primeira abelha a ser mudada foi uma espécie de canudo (Scaptotrigona sp) que estava instalada em um tronco de cajueiro a 4 metros de altura. Uma preocupação que deve ser considerada na hora de fazer o manejo é a hora do dia, que deve ser de preferência no período da manhã para que ao final do dia o maior número de abelhas esteja dentro da nova moradia.

Abaixo a foto do enxame de canudo no tronco do cajueiro.

O Sr. Paulo, sua esposa Dona Bernadete e seu filho Alex participaram de todo o processo. Antes de iniciarmos tivemos uma conversa e Dona Bernadete explicou que seu pai sempre criou abelhas sem ferrão e disse que ela mesma já havia feito várias capturas dessas abelhas para cabaças. Portanto, nada melhor que o conhecimento local para aprendermos. E sempre aprendemos! Lembrando o que fiz foi acompanhar, aprender bastante e repassar um pouco de informação. Acreditamos que dessa forma a família se aproprie mais do processo, buscando cada vez mais sua autonomia.

O primeiro passo para fazer a mudança das abelhas foi fazer a marcação e abertura da cabaça. Fotos da abertura da cabaça feita por Dona Bernadete e Alex (abaixo).

Marcação

Corte da cabaça.

Após aberta a cabaça fomos para o enxame de canudo. Levamos todos os equipamentos necessários: escada, machado, foice, facão, cabaça, barbante, cordão e protetores. As abelhas sem ferrão são melhores de trabalhar que as apis, justamente por não terem ferrão, mas quando o enxame está fortalecido em alguns casos é muito complicado, pois elas fazem de tudo para não se mudar de local atacando principalmente a parte da cabeça. E as canudos são um pouco mais agressivas que outras espécies. Então protegemos principalmente a parte da cabeça.

Antes de começar a cortar o cajueiro Sr. Paulo fechou a porta de entrada a fim de deixar o máximo de abelhas dentro para que elas não atacassem. Abaixo imagem do canudo fechado.

Então iniciou a abertura do tronco para fazer o mudança do quadro de cria.

Aberta a entrada das abelhas o que encontramos inicialmente foi  a cera, resinas e cerume que servem como proteção para as abelhas e estes devem ser separados para serem colocados dentro da nova moradia, a fim de diminuir o gasto de energia das abelhas, ou seja, ao invés delas gastarem energia produzindo novamente esses produtos, elas irão direcionar essa energia para manutenção das crias e do novo lar e isso garante mais o sucesso da mudança. Foto abaixo mostra os primeiros produtos retirados do enxame (cera, resinas e cerume).

Em seguida se retira os favos de cria, com muito cuidado. Como se trata de “bebês” sempre devemos ter muito mais cuidado.  Os principais cuidados são:

  • Respeitar a sequência dos favos mais velhos para os mais novos, geralmente, essa ordem de cima para baixo. Os favos mais velhos são mais claros, devido as abelhas já terem retirado a cera, direcionando-a para os favos mais novos;
  • Não virar os favos, principalmente os mais novos (de cor escura) para que as crias e larvas não se afoguem no alimento larval;
  • Coletar o máximo de abelhas novas, que ainda conseguem voar e transferi-las para a nova moradia, pois elas é que futuramente irão fortalecer o enxame;
  • Após retirado os favos descartar as partes machucadas dos favos para evitar que haja proliferação de moscas, forídeos, que depositam seus ovos em favos de crias que estão expostos, prejudicando todo o enxame;

Abaixo imagem dos favos de crias retirados, infelizmente alguns

Infelizmente muitas crias foram machucadas durante o processo, retiramos as mais danificadas e preparamos o espaço dentro da cabaça para receber os favos de cria com barbantes.

Após colocados favos de cria dentro da cabaça, pegamos a tampa e revestimos com a cera e resina que tinha sobrado para evitar que elas demandassem muita energia. Após colocada a tampa ainda revestimos a entrada da cabaça com o mesmo material, a fim de facilitar a entrada das abelhas, pelo cheiro do cerume.

Daí colocamos a entrada da cabaça no mesmo local da entrada da antiga moradia. Em questão de dez minutos as abelhas já estavam trabalhando na entrada, no canudo.

O enxame fica nesse local por uns 3 dias até termos a certeza de que maior parte das abelhas migrou para a cabaça. Enquanto isso dentro do cajueiro a rainha que não transferida vai migrar ou as operárias irão produzir uma nova rainha, o pólen vai sendo utilizado para alimentação sem ter que se delocarem muito em busca de alimento.

Abaixo um foto do Sr. Pauloe seu filho Alex animados com a atividade.

A função dessa criação das abelhas sem ferrão é: aumentar a população de meliponídeos, aumentar a polinização dos SAFs edas espécies florestais, produzir mel, pólen, própolis e cera, enriquecer a biodiversidade, etc. Ou seja mais de três funções essa atividade apresenta. Vamos ampliar essa atividade para outro produtores e ampliar para mais espécies de abelhas sem ferrão. Em breve outras postagens sobre o assunto.

Quintal do Dudu – Horta

Aos finais de semana estamos nos organizando para realizar ações em nossas casas. Partimos do princípio de que nossa casa deve estar saudável paa que nós estejamos saudáveis. Através dos conceitos propostos pela permacultura organizamos nossas idéias e idealizamos ações que torne nossa moradia cada vez mais saudável.

Dentro do espaços onde vivemos, que no momento ainda é um espaço urbano, sendo o quintal o local de maior gasto de energia para nossas práticas, temos que nos adaptar às limitações de solo, espaço, água, luminosidade, ventos, radiação e até mesmo recursos financeiros.

Dessa vez o quintal do Eduardo (Dudu) foi o local/pessoa que se propôs a fazer as interveções. As atividades escolhida por ele foram: horta, forno a lenha e composteira. Iniciamos com a horta, atividade mais necessária no momento.

O primeiro passo foi fazer a retirada de parte da vegetação herbácea que ocupava o quintal. As espécies encontradas com maior quantidade foram leguminosas (04 espécies) e gramíneas (03 espécies). Com o mato que foi retirado foi feito um composto para produção futura de adubo.

Com a área que ficou sem a vegetação colocamos uma camada de jornal, com a função de dar um destino adequado ao papel, evitar que ervas indesejáveis cresçam e com o tempo ser decomposto e transformado em adubo. Abaixo as fotos passo a passo.

Cama de jornal espalahada sobreposta para evitar que as ervas encontre espaço para se desenvolver.

Após o jornal colocamos uma camada de raspa de madeira,  com a função de diminuir a perda de água por evaporação, facilitar o desenvolvimento das raízes das plantas, além de que é matéria orgânica de baixo custo (uma saca de ração de 60 kg custa R$ 1,00). Lembrando que madeira com tratamento , ou seja com os “cidas ” da vida, fungicida, inseticida, etc., não são bem vindos nos canteiros.

Em seguida faz-se um buraco e coloca um punhado de terra vegetal.

Plantio das mudinhas, aqui no caso foi muda de tomate cereja, semeado por Jasmim (permacultura de 04 aninhos) e doado para Dudu. Essa espécie é comum aqui na nossa região e se adapta muito facilmente, além de não ser exigente nutricionalmente e nem ter problemas com água em suas folhas, visto que estamos no período de chuvas.

Cuidado na hora de plantar.

Também foi feito um canteiro olho de fechadura com as mesmas técnicas feita no canteiro acima. Abaixo fotos do canteiro.

Dudu nesse momento com um problema sério de coluna se esforçando ao máximo para dar continuidade aos trabalhos.

O canteiro no ponto de ser plantado.

Na foto acima temos o Chico o cachorro biodinâmico!!! Dudu faz uma comidas o cachorro enterra, depis de 3 dias ele desenterra e come. hehehehehehehehe